terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida ...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"


Não choro...mas ficaria tão mais aliviada se o fizesse... mas algo não deixa, o meu estômago se fecha e não passa este mal estar.
Quando poderei tirar férias de mim e desta vida? Refugiar-me naquele mundo dos últimos minutos da maioria dos filmes onde tudo e todos são felizes e não existe dor?Aguardarei....

3 comentários:

Sofia disse...

O sentimento de impotência é o que mais prevalece nesta fase. Vais-te sentir cansada, vais querer fugir, vai haver dias em que desejarias ser a pior pessoa do mundo só para ter a coragem de sair e não mais voltar.
Apesar de difícil e aparentemente ingrato, há quem precise de ti, da mesma forma que tu precisas...

FORÇA Raquel!

Te gosto muito e vou estar para sempre aqui... basta gritares:)
Bjinho Boneca:)

Anónimo disse...

podemos fugir interiormente, fugir para longe, estar interiormente noutra parte qualquer não importa, simplesmente ir. . . e ficar lá o tempo que bem entendermos, até decidirmos fugir para outro lado, mas depois de tanto fugir, vamos perceber que é uma perda de tempo pois não nos podemos esconder. . . e é preciso enfrentarmos.

quanto mais realistas formos mais vamos poder discernir entre o que sempre haverá ou não a fazer. . .

Beijo Apaixonado
Tiagonçalves

C. disse...

tambem vais ter direito ao teu final feliz :)

beijinho